quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Carta nº 1

Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber"

É difícil acreditar no Amor, quando hoje em dia o mesmo é produto excessivamente banalizado, de preço baixo ou sentimento que parou no tempo e não nos atinge mais como antigamente. Podemos ler o amor, podemos assistir o amor, ouvi-lo, mas senão nunca, só raramente o sentimos.
Algumas vezes acreditei amar, mas a verdade é que só comprei a ideia do que li, assisti e ouvi. E tudo que é fake plastic tem data de fabricação e validade, não adianta, até as lágrimas da dor hoje sei que foram por um ego em pedaços, pela vergonha de perder a posse de algo que nunca tive. O que pensava que era amor, era só um contrato entre partes querendo a mesma coisa num determinado tempo, tempo esse que dá corda para um caprichar na manipulação da própria história, reunir neuras, fabricar ilusões e realizá-las em dramas mexicanos, enquanto o outro se dana. É como em "Goldfish Memory"; enquanto o verdadeiro amor não aparece, nós transitamos por esses scripts pré-elaborados por uma memória coletiva de milhares de anos de relacionamentos, acrescentando alguns - dispensáveis, porém inevitáveis - detalhes.

Dia 9 de Agosto de 2011, te vejo pela primeira vez no John Bull. Uma semana depois, nos conhecemos. Naquele Agosto 16, é como se eu tivesse pisado num campo novo da minha vida, para explicar melhor, digo que agora ao falar sobre, estou feliz em repassar a história e que me correm lágrimas de emoção. Não foi algo arrebatador, foi delicado. Não neguei sua passagem para minha vida, deixei que tomasse seu lugar, que soltasse borboletas para dançar em mim, me observei não inebriada, mas um tanto consciente e firme. Claro que por minha impulsivividade, meu jeito, parecia que o mundo acabaria no instante seguinte, mas sinceramente? Eu sabia que não acabaria e teria muito tempo para te ter por perto e cá estou. A, você é uma mulher incrível, sou fascinada com teu jeito...desde como mexe na bolsa para pescar algo de lá de dentro, como anda calma e ereta - algo que revela parte de sua postura com a vida. Sou fascinada com teus olhos a luz do dia; calorosos. Me admira a intimidade que você tem com sua vaidade. Os desejos que tem aí dentro de viver coisas novas misturados com as vontades velhas, sejam elas docinhos azedos, cerveja preta ou ver seu ursinho. Sem jamais esquecer o chá, claro.

A Audrey é meu alterego felino.

Sua mãe é um doce, a vejo e tenho vontade de abraçá-la, mas ainda estou governada por certa timidez e certa insegurança. Não quero desapontá-la; ela ou qualquer pessoa da família, inclusive suas amigas.
Digo isso, pelo valor que você tem na vida delas e agora tem na minha também; eis aqui uma das razões por estar escrevendo: eu sei que tenho andado estranha quando estamos longe, que não atendo o básico e hoje quando você disse que "tem coisas que desanimam" senti que foi ligado à mim. Não sei se exclusivamente, mas senti como. Talvez seja a tpm, talvez seja fase ou talvez seja algo que não descobri ainda, mas não importa o quê, darei jeito.
Você me trata tão bem, sinto tanto carinho e atenção de sua parte, sou derretida por seus cuidados comigo, portanto, não merece meus desvios.

Talvez você entenda como precipitado quando soltei "Eu amo você!" aquele dia no (...), mas foi sincero e a primeira vez na vida que digo algo para alguém sem egoísmo. Eu disse para você, por você, por quem você é, não por mim. E você é a melhor parte da minha vida.

Desculpe meu desajeito com o relacionamento, mas não duvide da minha vontade de fazer dar certo.

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