
Em três semanas faz dois dias que não me lembro de ter sonhado com ela. O último deixou cenas agradáveis até.
Via nossas sombras misturadas com nossas risadas, dançando na grama de um verde daqueles que só é encontrado na Irlanda, ou talvez na Escócia. Talvez estivéssemos mesmo nas cercanias de Inverary Castle, ou talvez Dromoland. O fato é que brincávamos com uma bola de futebol e tudo estava iluminado.
[Corta]
Acontece que um sonho desses não cabe numa realidade como a nossa e para provar isso é só desmontar a cena e considerar os signos isolados:
O futebol é um jogo.
No jogo há disputa.
Disputávamos a bola, que no caso, era a razão.
Para manter “a bola”, escolhi pela defensiva (passiva?)
Ela - para roubar “a bola” - atacava. Chegava me puxar pelos braços, me dar típicos tapinhas (sim, aqueles pedalas) para me distrair.
Toda nossa relação foi uma disputa desenfreada. O sonho era pesadelo e o pesadelo é a realidade. Não se pode nem mais sonhar...


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