quinta-feira, 26 de agosto de 2010

i got caught in a storm and carried away

"I got caught in a storm
That's what happened to me
So I didn't call
And you didn't see me for a while"



Olha, eu não preciso falar aqui o quão sou incoerente em todos os sentidos da minha vida. Cada um de vocês devem colecionar mais de uma complicação minha na memória.
Eu sou um vacilo que procura novos erros a cada interação e não, minha gente, não é de propósito, pois eu sinto coisas boas e então a intenção não pode ser outra, mas o resultado, ah o resultado... não sei aonde meu espírito descarrilha exatamente, mas há sempre um ponto cego que resulta num desvio de princípios.
Procurei em vários horóscopos pela descrição do meu signo e não me encontrei em nenhum. Por que diabos é tão difícil ser uma pisciana convencional, entregue as grandes emoções e ao invés de me acabar em encadeamentos lógicos não me jogo num mundo belo, onde tudo seria um coração gordo dançando batidas suntuosas de satisfação por viver bem meus sonhos (mesmo caindo na real vezenquando)? Bem, vai ver é a lua em leão, o ascendente escorpião ou o aquecimento global. Ok, talvez tenha passado da hora de procurar um terapeuta, mas enquanto não o faço, estamos nós aqui nesse mundo de meu deus: eu falando do meu transtorno e vocês aí, se identificando.
Enfim, para entenderem melhor, conto que sou tão impossível que minha babá me deixou quando eu era pequena. Dezoito anos mais tarde, tive um problema judicial e meu advogado abandonou meu caso....Apesar de entender que foram prejuízos merecidos, não me incomodei tanto e aí aconteceu a minha pior perda: o meu Amor. O meu Amor me abandonou. Ele não só me abandonou, mas também inventou uma vida para mim. Usou meu nome e endereço e com imaginação me deu uma nova paixão, sentenciou-me uma vida plena em que ele não cabia mais e acreditou em suas criações. Já é sabido que em certas noites, no seu quarto escuro, fumando o último cigarro na janela, a saudade vinha lhe trazer a realidade e ela - o meu Amor - julgando-se desabitada, negava a desconfiança de si e ia dormir inquieta, mas não, não desistiu de seu projeto, pois era um alívio acreditar naquelas quimeras.
Do lado de cá, ao contrário do que meu Amor sonhava, eu estava em frangalhos...a razão me doía em forma de pânico, então tentava embalar meus sentimentos em busca de calma, mas de nada servia: eu era um bicho assustado. Isso explica o silêncio que só fez alimentar o talento do meu Amor.
Captaram o clichê? Asmodeu venceu novamente e ri de sua vitória.
Eu, imersa em meu turbilhão. Ela se tornando cada vez mais egoísta em acreditar em suas suposições.

Está aí o preço mais caro que tive que pagar pela passividade em relação ao emaranhado de pensamentos que me assaltam, meus amigos. Esta aí a consequência de ser desprezível aos olhos do seu, do meu Amor. Mal sabe que ainda sou tonta por suas piadas, suas crises de insegurança, por sua família, suas pintas, cicatrizes, gosto, cheiro, calor, seu jeito de apoiar o pé na outra perna, formando um 4 para fumar na janela...cantarolando. Mal sabe que ainda a amo, porque como diria Snoopy "Palavras não podem dizer o quanto eu te amo; então esqueça."
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Do romance suave à tragédia espinhosa.
Números de pizzarias acumulados de pizzas não comidas, uma bicicleta comprada, noites de insônia, playlists de músicas melancólicas e a vergonha por ser como sou.

(to be continued)











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